8 de abril de 2011

instante eterno

Nem sei mais quanto tempo faz que não te vejo, mas você chega e o comprimento com um longo beijo, um abraço e uma promessa silenciosa de que sempre estarei aqui. Sente-se e me conte um pouco do seu dia e não deixe que todas as outras vozes se sobreponham ao que temos aqui em nossa mesa, a tudo o que servimos um ao outro. Apesar de tudo ao nosso redor me distrair, a sua voz permanece a mais alta, nos seus olhos a luz mais clara é refletida e sinto que já posso te abraçar novamente e te dar outro longo beijo. Já não consigo mais prestar atenção em nada do que fala, e ao mesmo tempo absorvo todas as suas palavras, que entram quentes e aconchegantes no meu ouvido, que por sua vez se incomoda com todo o ruído ao redor. Como se algo pudesse atrapalhar nosso perfeito equilibrio neste instante. Mentalmente envio um sinal para que todo o barulho seja deixado de lado: nada mais está entre nós. Nem mesmo o ar deixamos de compartilhar. Assim ficaremos por uma pequena eternidade, em cima da cadeira que vai guardar o nosso amor. Posso passar por aqui daqui alguns anos, o nosso amor pode já não ser o mesmo até lá e eu posso até mesmo acreditar que nada disso nunca foi amor, embora isso seja para pessoas incapazes de se entregar como me entrego agora a você, neste nosso instante eterno. Já não me importo quantas horas passarei ao seu lado e quantas horas estaremos separados, se tudo o que eu tenho agora é estar aqui, então o pra sempre será assim - e agora.

Um comentário:

  1. Parabéns sensacional artigo.
    Parece algo conhecido, mas minhas palavras são mais intimas que estas.
    Você sabe realmente como escrever e espero que continue sempre.

    Beijos.
    Alexandre Marcondes

    ResponderExcluir